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Mais Amado Batista e menos Anitta

Foi uma surpresa poder ter acesso aos dados do YouTube segmentados por município. Apesar dos números só contabilizarem os acessos a partir de 1º de março, já foi possível ter uma ideia de quais artistas foram os mais ouvidos pelo rio-clarense em 2017. Por ser uma cidade do interior de São Paulo, com veia tradicionalmente caipira, esperava encontrar muito mais cantores sertanejos no topo da lista, mas me surpreendi com a quantidade de artistas do funk.

Há que se notarem aqui duas medidas: a primeira é que não se trata de números de rádios, nos quais é sabida a existência do tal jabá, pois no YouTube os números são absolutos, quem ouviu é porque queria escutar e procurou por aquele artista. A segunda é que a maior parte das pessoas que consomem conteúdo musical pelo YouTube é de jovens, mais familiarizados com a tecnologia.

Portanto, não é possível generalizar e dizer que a maior parte dos jovens rio-clarenses consome funk, até porque, somadas as visualizações dos artistas do funk, são bem inferiores aos acessos a vídeos de cantores sertanejos. O que acontece é que a variedade de músicos sertanejos pulveriza os números e com isso temos mais cantores sertanejos com menos visualizações, ao passo que menos funkeiros com mais ‘plays’.

Outra particularidade é que a cantora Anitta – sucesso mundial – em Rio Claro está abaixo do ícone Amado Batista, o que prova aí uma tendência do gosto popular local. Outro fato é que a música gospel cresceu bastante e apenas quatro cantores somam mais da metade das visualizações do funk. Aline Barros, por exemplo, tem mais que o dobro de ‘plays’ que Anita ou Simone & Simaria.

Vivian Guilherme
A autora é jornalista, mestranda em Ciência, Tecnologia e Sociedade na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), graduada em Letras e pós-graduada em jornalismo contemporâneo. Produtora musical e técnica em áudio profissional. Criadora do Festival Rock Feminino e webmaster do Rockfeminino.com.br
http://www.rockfeminino.com.br

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