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O que foi o Prêmio Multishow

O Prêmio Multishow teve mais uma edição na última terça-feira (24). O evento que foi ao ar pela primeira vez em 1994 se destaca como um dos poucos a premiar a música brasileira. Para quem teve paciência de assistir até o fim (eu não tive), a premiação se mostrou mais do mesmo e muito além de sua proposta inicial dos anos 90.

Quem sempre foi fã do VMB (Video Music Brasil), exibido pela extinta MTV, sabe que premiações musicais são históricas e, quase sempre, marcam aquele Zeitgeist. Representam o que mais tocava a geração naquela época e quais os artistas que mais se destacavam. Em sua maior parte, os prêmios são renováveis, dificilmente os rostos se repetem, às vezes, por uma ou duas edições e só.

No fim dos anos 90, não existiria VMB sem o Skank ou os Paralamas do Sucesso. No começo dos anos 2000, os grupos de Axé e de Pagode levaram boa parte dos prêmios – inclusive a MTV criou categorias exclusivas para premiar os segmentos. A MTV (aquele antigo formato musical) se foi e a Multishow naturalmente assumiu o vazio deixado pela concorrente. A exemplo da emissora teen, Multishow também trouxe um panorama da música nesses últimos anos por meio de seus prêmios.

Infelizmente, hoje, apenas o Prêmio da Música Brasileira (votos do corpo de jurados) e o Prêmio Multishow (votos do público) contemplam artistas musicais. Digo infelizmente porque nenhum dos dois atendem a uma brecha que carece de atenção, enquanto um se reduz apenas aos grandes figurões já manjados da MPB, o outro fica refém das adolescentes que votam incessantemente do cantor bonitinho.

E não que premiação seja de grande valia, mas é o reconhecimento de um trabalho, um cartão de visitas para os músicos e também uma forma de ampliar a divulgação. Como falar de música brasileira quando somente algumas gravadoras são atendidas?

Fora isso, parênteses apenas para comentar as apresentações do Prêmio de terça-feira, performances exageradas, músicas fora de contexto, artistas desesperados por um pouco de atenção e duetos desnecessários. Marília Mendonça teria acertado se tivesse ficado apenas na primeira música, cantada solo, de maneira singela; mas estragou tudo ao voltar acompanhada de Maiara & Maraisa para um show totalmente desnecessário. Cadê a produção?

Vivian Guilherme
A autora é jornalista, mestranda em Ciência, Tecnologia e Sociedade na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), graduada em Letras e pós-graduada em jornalismo contemporâneo. Produtora musical e técnica em áudio profissional. Criadora do Festival Rock Feminino e webmaster do Rockfeminino.com.br
http://www.rockfeminino.com.br

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