Bia Nobre aposta em presença e colaboração para falar de mulheres no rock
Quando a conversa chega à presença feminina no rock, Bia Nobre prefere começar por outro lugar. Em vez de construir a discussão exclusivamente a partir da falta de mulheres ou das dificuldades de ocupar determinados espaços, a vocalista e guitarrista da Malice escolhe olhar para quem já está ali — compondo, tocando, produzindo e criando relações dentro da cena.
A escolha é consciente. Durante o planejamento de divulgação de “Sob a Pele”, Bia deixou claro que não se identifica com estratégias baseadas em conflito ou polêmica. Para ela, reconhecer os problemas existentes não impede uma abordagem que também dê visibilidade às mulheres que já estão construindo caminhos dentro da música.

Esse olhar aparece em “Me Faz Queimar”, uma das 15 músicas do álbum. Com refrão mais pop e uma aproximação com o country, a faixa fala sobre mulheres que, de diferentes maneiras, ajudaram a abrir espaço para que outras também pudessem ocupar territórios tradicionalmente associados aos homens.
A discussão ultrapassou a gravação. Como parte do projeto que resultou em Sob a Pele, a Malice realizou um workshop de escrita criativa para mulheres e uma roda de conversa com mulheres da música, transformando representatividade, criação e troca em ações concretas para além do disco.
Para Bia, há força justamente na possibilidade de reconhecer essas redes.
“Eu gosto mais de olhar para as mulheres que já estão lá, perceber que estamos na mesma cena e que existe essa troca, esse apoio”, explica.
A colaboração feminina aparece também dentro de Sob a Pele. Em “Let It Burn”, a Malice recebe Cris Botareli, do Far From Alaska e Ego Kill Talent, na segunda voz e no lap steel. Bia já conhecia Cris havia alguns anos quando surgiu a possibilidade da participação. O contato havia começado antes da pandemia e continuou por encontros e conversas ao longo dos anos.
A parceria foi construída à distância e com liberdade. A banda enviou a base da música e convidou Cris a experimentar sobre ela; a musicista devolveu diferentes camadas e possibilidades de instrumentos e vozes, que depois foram selecionadas para a versão final da canção.
Em vez de transformar a condição de mulher no rock numa narrativa isolada da própria música, Bia prefere colocá-la em diálogo com composição, colaboração e formação de uma cena que já existe.
Em Sob a Pele, essa perspectiva é apenas uma das muitas que atravessam as 15 faixas, mas ajuda a revelar o lugar de onde a Malice escolhe falar: menos interessada em alimentar disputas e mais empenhada em ampliar as conexões ao redor de quem já está criando.
OUÇA “SOB A PELE”:
https://www.submithub.com/link/malice-sob-a-pele
Malice
Bia Nobre — voz e guitarras
Diego Castro — guitarras e slide
Vinícius Arbués — baixo
Marcelo Melo — bateria
